Levanto-me de manha. Saio da minha casa. Há um buraco no passeio. Não o vejo! E caio nele.
No dia seguinte, saio da minha casa, esqueço-me de que há um buraco no passeio e torno a cair nele!
Ao terceiro dia, saio da minha casa procurando recordar-me de que há um buraco no passeio. No entanto não me recordo e caio nele!
Ao quarto dia, saio da minha casa procurando recordar-me do buraco no passeio. Recordo-me e, apesar disso, não vejo a cova e caio nele!
Ao quinto dia, saio da minha casa. Recordo que tenho de ter presente o buraco no passeio e caminho a olhar para o chão. E vejo-o e , apesar de o ver, caio nele!
Ao sexto dia, saio de minha casa. Recordo-me do buraco no passeio. Vou a procurá-lo com os olhos. Vejo-o, tento saltar por cima dele, mas caio nele.
Ao sétimo dia, saio de casa. Vejo o buraco. Tomo impulso, salto, roço com a ponta dos meus pés o rebordo do outro lado, mas não é o suficiente e caio nele.
Ao oitavo dia, saio de minha casa, vejo o buraco, tomo impulso, salto, chego ao outro lado! sinto-me tão orgulhoso por o ter conseguido que o celebro dando saltos de alegria...
E, ao fazê-lo, caio outra vez no buraco.
Ao nono dia, saio de minha casa, vejo o buraco, tomo impulso, salto-o e sigo o meu caminho.
Ao décimo dia, hoje precisamente, dou-me conta de que é mais cómodo caminhar pelo passeio em frente....
